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| Paulo Freire |
Paulo Freire (1921-1997), um dos educadores mais influentes no Brasil, deixou um legado reconhecido até hoje. Sua preocupação com a eficácia do ensino e seu empenho para torná-lo real foram notáveis e seus métodos são usados como modelo por muitas instituições. Em um de seus livros, A Pedagogia da Autonomia, Freire reafirma suas ideias, dizendo que "formar é muito mais que puramente treinar o educando no desempenho de destrezas", a transmissão de conhecimentos por si própria não é objetivo final, mas sim possibilitar que o educando aprenda dentro do seu próprio contexto para que ele compreenda a aplicabilidade do que aprendeu. Isso vale para todos os graus de ensino.
Recentemente fiz um texto para o componente de Matemática que mostra um pouco da importância de se usar elementos do cotidiano dos "aprendentes" para maximizar a eficácia da aprendizagem:
"O
termo “matemática”, geralmente, é mal recepcionado durante o período de
aprendizagem no ambiente escolar. Sem estudos prévios, não ousamos afirmar quais
causas comprovadas fazem com que essa fama se perpetue até hoje, tendo como
conseqüência tamanha rejeição. Porém, com o saber empírico, algumas reflexões
podem ser expostas. Por exemplo, percebe-se que no decorrer de anos a metodologia
do ensino de matemática pouco se adaptou às novas ferramentas que surgiram com
o desenvolvimento das tecnologias, o que pode tornar o processo menos atrativo.
Outro ponto, também referente à metodologia, é a falta de clareza quanto a
aplicabilidade dos saberes de modo que ele transcenda o espaço escolar, ou
seja, os alunos nem sempre ficam cientes sobre o quanto a matemática pode ser
usada no dia-a-dia e, por isso, correm o risco de ficar restritos a fórmulas
para serem usadas somente em atividades curriculares.
Contra
a maré de uma cultura de ensino “arcaico” enraizada por gerações, existem modos
que buscam pela inovação. Essa inovação não vem apenas para atualizar as “regras”
de ensino, mas para torná-lo mais eficiente. Um exemplo de inovação e
valorização da aplicabilidade dos aprendizados em matemática é a etnomatemática. Esse nome dado pelo
educador Ubiratan D’Ambrosio, se baseia
em uma vertente de realidade cultural para contextualizar o ensino da
matemática. Um dos exemplos vigentes de etnomatemática
é o uso dos Trançados Bora. Detalhado
no texto que leva o mesmo nome, Rodrigo Freitas, mestre em Matemática e
escritor, ressalta que, além da valorização da cultura, a análise e estudo dessa
arte de “cestaria”, que é comum ao povo Peruano na área Amazônica, constitui-se
como fonte rica para transmissão de saberes, como a geometria, por exemplo.
Assim
como os Trançado Bora, muitos outros
elementos comuns à realidade de determinados recortes sociais podem ser úteis
na melhor apreensão do ensino da matemática. Desta forma, a herança de uma
transmissão/recepção de conteúdos de forma mecanizada, com o tempo, vai sendo
substituída por um processo de construção consciente de saberes."
Evellin Thamyris Fagundes Matos

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